O dia se fez noite e parou. Tudo parou!
Acordei atordoado e não sabia que horas eram. Tentei ligar a televisão, mas tudo estava escuro. Acabara a luz. Pensei estar sonhando, mas não: era real. Olhei para o relógio e ele estava parado. Desci as escadas rumo à cozinha tateando as paredes para não tropeçar em nenhum degrau. Chego à cozinha e abro o filtro, mas percebo que a água também acabara. O silêncio daquela escuridão era ensurdecedor. Eu pensava comigo: – Será que o mundo parou e eu continuei? O mundo parecia ser só meu, mas era escuro e silencioso, parado e esquecido. Como se o único ser existente fosse eu, mas permanecia sozinho. Voltei pra cama e deitei. Tentei pegar no sono, mas não consegui. O silêncio me incomodava. Precisava naquele momento ouvir a voz humana, a respiração de um vivente, o latido de um cão, a buzina de um automóvel. Mas nada ouvi… Peguei no sono e sonhei com esta escuridão sem fim, com um desentendimento pessoal e com o fato de estar só no mundo. Acordei, ainda era escuro e frio, mas cheguei a conclusão que somos seres sozinhos no mundo. No vamos ver das coisas ninguém é por você! Então percebi que o valor e o amor próprio vêm em primeiro lugar. E aquela noite escura e parada representava os seres invisíveis que nos rondam e atormentam nossa alma…